Teia SP

Guia colaborativo de dispositivos de São Paulo

Projeto idealizado e desenvolvido por: e

Sobre este projeto

A Teia Invisível que Possibilita o Cuidado

Sob o solo, fungos e plantas criam suas teias. Os dois mantêm uma relação milenar de cuidado. De um lado, por meio da fotossíntese, as plantas fornecem açúcares aos fungos. Do outro, os fungos estendem o alcance das raízes das plantas, aumentando drasticamente a absorção de nutrientes. O que a princípio parece um conjunto de organismos isolados é, na realidade, uma grande rede de cooperação.

Os filamentos microscópicos dos fungos, quando unidos, formam o micélio, a estrutura invisível do fungo que age como uma espécie de transporte de informações, assim como a internet.

Foi a partir desse emaranhado que traçamos um paralelo entre a rede de cuidado da cidade e a rede invisível dos fungos. Assim como na natureza, as relações no território não acontecem de forma isolada. Na rede de cuidado, isto é, saúde, assistência social, educação, cultura, lazer, trabalho, habitação e justiça, também é preciso estabelecer conexões e trocas. A vida do território depende do contato entre as pessoas para as redes se tecerem.

Percebemos uma fragmentação nas informações sobre os serviços públicos da cidade de São Paulo, e com isso, uma dificuldade em encontrá-los de forma organizada e integrada. Foi dessa compreensão que nasceu a Teia SP: um guia de busca e mapeamento colaborativo que reúne dispositivos, equipamentos e iniciativas da cidade de São Paulo.

Os dispositivos do site incluem várias áreas e foram divididos em categorias pensadas para facilitar as buscas, como: Sistema Único de Saúde (SUS), Saúde Mental, Sistema Único da Assistência Social (SUAS), Educação, Moradia, Trabalho, Benefícios e Programas, Lazer e Cultura, Justiça, Direitos Humanos e Outros. Além disso, colocamos os públicos-alvo, por exemplo: população LGBTQIAPN+, pessoas em situação de calçada, pessoas com deficiência etc.

Um dos princípios fundamentais do SUS é a integralidade, o qual, por sua vez, considera o sujeito como um todo, atendendo a todas as suas necessidades. "Para que isso seja possível, é importante a integração de ações, incluindo a promoção da saúde, a prevenção de doenças, o tratamento e a reabilitação. Juntamente, o princípio de integralidade pressupõe a articulação da saúde com outras políticas públicas, para assegurar uma atuação intersetorial entre as diferentes áreas que tenham repercussão na saúde e qualidade de vida dos indivíduos" (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2026).

Assim como os micélios não são facilmente percebidos, grande parte do trabalho em rede também acontece de maneira silenciosa, apesar de muito trabalhosa, nos espaços entre uma instituição e outra, nos matriciamentos, nas trocas entre trabalhadores. Só assim se faz o cuidado. É nessa trama de relações que o cuidado circula. E talvez seja justamente por isso que uma rede de cuidado, assim como a rede dos fungos, não seja apenas um conjunto de pontos conectados, mas uma estrutura viva, em movimento, e claro, no coletivo, já que para tecer a teia é preciso de muitos fios.

Embora essa analogia seja bonita, sabemos que a construção da rede está longe de ser simples. Pelo contrário, trata-se de um processo profundamente complexo, atravessado simultaneamente por tensões, desafios, encontros e trocas. Em um contexto marcado pelo sucateamento das políticas públicas e dos serviços, torna-se cada vez mais necessário fortalecer, sustentar e articular essa rede, para que o cuidado possa continuar acontecendo de forma viva e efetiva.

Elencamos a Luta Antimanicomial como exemplo para ilustrar como a rede exige a presença de um coletivo; usuário, família, trabalhador da saúde, espaços de convivência, cultura, território, lazer, trabalho. A Luta Antimanicomial faz parte de um cuidado intersetorial, territorial e que acontece justamente por estar em rede. Nosso projeto foi fundamentado em uma postura ética-política pautada no cuidado em liberdade como eixo central, alinhada aos princípios da luta antimanicomial e da redução de danos e riscos. Dessa maneira, todos os dispositivos presentes neste site seguem essa lógica.

Nosso projeto não tem como objetivo solucionar os desafios envolvidos na articulação dessa teia de cuidado. A proposta é contribuir para a reunião e organização de informações que possam fortalecer esse processo, facilitando o tecer da rede por meio do mapeamento dos serviços existentes e da compreensão dos espaços que podemos ocupar, construir e compartilhar.

O site funciona por meio de três seções principais, descritas a seguir:

* Buscar: onde é possível consultar as informações de cada dispositivo cadastrado, horários de funcionamento, contatos oficiais (sites e redes sociais) e filtrar por público atendido, frente de atuação ou utilizar a barra de pesquisa com palavras-chave.

* Mapa: onde é possível visualizar a distribuição das unidades, referentes aos dispositivos cadastrados, no território de São Paulo.

* Sugestão: onde é possível cadastrar novos dispositivos que ainda não estão no guia por meio de um formulário simples.

A ideia do site é que todes possam contribuir acrescentando dispositivos que ainda não estejam cadastrados, ajudando a construir um mapa cada vez mais completo, atualizado e útil para todes. Tanto a rede de cuidado como a rede de vida dos fungos necessitam desses fios, emaranhados e teias para gerar e manter a vida, ou melhor, para promover e proteger a saúde através de vínculos e relações.

Créditos
  • Logo e composição visual: Lilla Cirenza Lescher
  • Arte - Corpo do site: @mun_dopurpura
  • Revisão da formatação: Lucas Hashimoto
  • Revisão textual: Rodrigo Saturnino
Referências
  • BRASIL. Ministério da Saúde. Sistema Único de Saúde (SUS). Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/sus
  • BASAGLIA, Franco. A instituição negada: relato de um hospital psiquiátrico. Rio de Janeiro: Graal, 1985.
  • REVISTA AVENTURAS NA HISTÓRIA. Redes subterrâneas de fungos somam mais de 100 quatrilhões de quilômetros. Disponível em: aventurasnahistoria.com.br
  • SMITH, S. E.; READ, D. J. Mycorrhizal Symbiosis. 3. ed. London: Academic Press, 2008.
  • SOCIETY FOR THE PROTECTION OF UNDERGROUND NETWORKS (SPUN). A Hidden Infrastructure: Mapping the World's Underground Fungal Networks. Disponível em: spun.earth
  • STAMETS, Paul. Mycelium Running: How Mushrooms Can Help Save the World. Berkeley: Ten Speed Press, 2005.
  • SUMAÚMA. A força do invisível que alimenta a vida visível das florestas: isto é micélio. Disponível em: sumauma.com
  • TODOS PELA EDUCAÇÃO. Financiamento da educação. Anuário Brasileiro da Educação Básica 2026. [S. l.]: Todos Pela Educação, 2026.
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Educação

Transconvida

Transconvida

O que é

O objetivo principal do projeto é capacitar profissionalmente pessoas trans, travestis e não binárias, preparando-as para o mercado de trabalho por meio de cursos de qualificação. Além disso, busca-se proporcionar um futuro com melhores oportunidades para esse público. O projeto ensina o que é considerado básico e fundamental para muitas empresas: inclusão tecnológica, inglês básico, noções de Direito e Ética no ambiente profissional, elaboração de currículo, busca de vagas e comunicação com empregadores. A Transconvida facilita a promoção da inclusão desses indivíduos em grandes empresas.
Público atendido
População LGBTQIAPN+
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